março 08, 2011

Minha namorada é uma webcam

Letra: Lou James

Música: The Saylor

Minha namorada é uma webcam

Minha namorada é uma webcam

Todos os dias ela me espera

Prá que eu chegue e a encare

Dê-me um sorriso

Aproxime-se de mim

Minha namorada é uma webcam

Minha namorada é uma webcam

Fetichismo e exibição

São as causas e a razão

Do meu amor por ela

Do seu amor por mim

Minha namorada é uma webcam

Minha namorada é uma webcam

Nunca conheceu o amor

Só indiferença e frigidez

A volúpia que criei

Foi no momento em que te encontrei

Minha namorada é uma webcam

Minha namorada é uma webcam

Parada, encostada num balcão

Indiferente, indiferente a situação

Foi amor logo de cara

Foi amor de perdição

Minha namorada é uma webcam

Minha namorada é uma webcam

março 03, 2011

Entrevista com Lou James





Eu, a repórter Núbia Poison, inicio essa entrevista lhe indagando:

O que te impele?

De onde vem teu ímpeto?

Da vontade!

E, de onde vem esse desejo intenso de querer?

Da representação que habita em mim!



Depois de emplacar hits como:

“Minha namorada é uma webcam” e “Quase erro”

Escrever poemas existencialistas e góticos, contos policiais e ser adepto do minimalismo...

... Como você se define?



Há um tempo, parecia que criar os Retinas Queimadas seria uma coisa boa

Sempre pensei em ser escritor, nunca músico

Muito menos vocalista de uma banda punk underground virtual com enorme influência gótica

Sou lúdico, me defino assim

Se houvesse um meio de dar sabor a visão e a audição...

Tento dar um jeito de enxergar e ouvir as coisas de uma maneira não-amarga

E levemente, tentar adoçá-las



Entendo Lou... E como você criou seu estilo literário?

Bem, vivemos numa época de releituras e adaptações

E, naturalmente precisamos absorver o que já foi produzido

Há muita coisa boa para ser usufruída

Penso ser, esse, o momento de mostrar às gerações toda a expressão artística, visual e musical com a qual interagi e está disponível nas bibliotecas, na internet e nas prateleiras das bibliotecas e Sebos

Um poema meu não é um fim-em-si

Ele não se encerra depois de lido

Ele é um canal, uma passagem que transporta o leitor a outro texto

... Outro poema, outra canção

Minhas obras direcionam-no a matriz da inspiração, à fonte

Deste modo, penso ter criado uma espécie de chave ou código que permite abrir as portas da percepção do leitor, do ouvinte

E mais...

Aguçar a sua curiosidade e seduzi-lo na busca do conhecimento pleno



Quais são suas influências?

São tantas e temo não conseguir me lembrar de todas agora

A literatura gótica e existencialista, o rock gótico, o punk, a MPB dos 70’s e 80’s; os filmes B de terror, os filmes de terror clássicos e muitos escritores brasileiros...



Cite alguns para ilustrar a entrevista Lou...

Hum, na literatura posso citar:

Fernando Sabino, João Ubaldo Ribeiro, João do Rio, Lima Barreto, Clarice Lispector, Orígenes Lessa, Fausto Wolff...

Poderia ficar aqui citando autores que li e leio por longos minutos



Há muita fragmentação da arte como forma de expansão do conhecimento?

Óbvio que sim, e isso começa na escola, na mais tenra idade

Descartes fragmentou o conhecimento tal qual o conhecemos ainda hoje

E essa corrente teórica, de certo modo, prevalece nas passagens de tempo, chegam aos dias atuais e se estendem pelas artes, ciências e música

O conhecimento está fatiado nas mais diversas filosofias e instâncias, nas mais diversas correntes e em seguidores e detratores, admiradores e críticos

Isso funcionou bem em determinadas épocas e formamos especialistas cada vez mais dominadores dum único tema

Mas há pontos em que o cartesianismo está sendo revisto e um novo paradigma sendo elaborado por essa geração

Defendo a busca do conhecimento pleno, na amplitude máxima do saber...

Estimulo a visão holística dos seres sobre as coisas, sobre os fatores mensuráveis e imensuráveis



O que você considera “impraticável”?

Queimar livros!

Acho que nunca conseguiria praticar esse ato

Qualquer livro, desconhecido ou clássico, todos possuem alma

Possuem uma força, algo de sobrenatural

Queimar livros é como destruir vidas!



Muito bom Lou, interessante esse ponto de vista

Para terminar, deixe um recado para os fãs...

Ah, tento ser criativo e não vivi as coisas que escrevo

Também tenho medo e sou corajoso ao mesmo tempo

Escondo-me atrás da máscara e...

... Agradeço a todos que me lêem

Tento dar a minha visão aos fatos, as histórias e estórias

Eu fui educado com a Bíblia




*Entrevista concedida a Núbia Poison no BCB, Botequim Charles Bukowski.


*Núbia Poison, integrante virtual e roadie dos Retinas Queimadas é jornalista das publicações Retinas News.


*Qualquer semelhança com a realidade é mera coincidência.

fevereiro 01, 2011

Entrevista com Fernando Sabino


Se meus olhos estão abertos para a literatura cotidiana foi por causa do senhor Fernando Sabino

Eu, a repórter Núbia Poison, começo nosso bate-papo lhe indagando:

O senhor nunca levou nada em brincadeira?

... Hum, senhorita; isso só quando eu era criança

Naquela época eu levava minhas brincadeiras muito a sério



Como o senhor desenvolveu a capacidade de escrever todas aquelas confusões que nutrem seus contos?

Vivendo e prestando atenção a todos os equívocos, dinamizando os impasses cotidianos e, acho que, maximizando inesperados mal-entendidos



Boa resposta Sr. Sabino...

Me chame de Fernando, garota!

Assim, sinto-me mais jovem

Afinal, um jovem dispensa toda e qualquer formalidade



Fernando, como um senhor maduro faz para se sentir jovem no meio literário?

É fácil... Todos os dias encontro-me com o jovem que fui um dia

Então, lhe estendo a mão e, quando ele a toca, percebo que continuo acreditando nos mesmos ideais até hoje

Mateus, o profeta nos ensinou:

“Quem se fizer pequeno como um menino, será grande no reino dos céus”



Como o senhor, digo, como você percebe a juventude atual?

Há muitas correntes de jovens “funcionando”

Vejo jovens que se perdem nas drogas e só querem shows e festas

Outros que só pensam em futebol e peneiras

Têm também os ociosos apreciadores de tecnologias

Mas, encontro pessoas como você que faz entrevistas e escreve poemas

Creio que a maior dificuldade do jovem enquanto “uno” é canalizar todo o seu potencial numa coisa que ele realmente acredita

Uso o termo “uno”, pois, quando se fala de jovens e juventude o assunto tende a se expandir para a coletividade

Mas, cada jovem é um universo em expansão e, se somente olharmos para o todo, para o contingente, nunca veremos o brilho individual de cada ser

O próprio mundo é, de certo modo, cruel com o jovem



Em seu livro: “O Tabuleiro de Damas” você inicia-o afirmando:

“Escrevo porque não tenho olhos verdes...”

Se Fernando Sabino tivesse olhos verdes, ao invés de escritor o que ele seria?

Ah, com certeza músico de Jazz

Porque músico?

Porque a frustração do escritor vem de seu trabalho ser um ato solitário

Ele se encerra em si mesmo e, até passa a amá-lo como um rito antropofágico e trágico

Meu amigo Otto Lara Resende dizia que um escritor não costuma ler outros escritores, e isso, de certa forma, é uma pena para todos nós...



Já uma banda cria em coletividade e compartilha a arte de maneira democrática envolvendo a totalidade dos seres capazes

Isso é amor universal, garota...

Na criação ou execução de uma música, vários participam e é tão lindo compartilhar!

É amor em plenitude...

E não se pode fazer amor sem pelo menos duas pessoas!

Isso é tão trágico para um escritor...

... Afinal, não há ato mais solitário do que conceber um livro, um conto, uma crônica ou artigo

Assim é e assim sempre será...



Nossa... Fernando, foram intensas suas palavras

Fiquei emocionada com seu ponto de vista sobre a criação

Você citou Otto Lara Resende, nessa entrevista

Qual outro escritor você aprecia?

Desde que a conheci, fiquei encantado com Clarice Lispector

Foi Lucio Cardoso quem me apresentou o livro “Perto do coração selvagem” logo que foi lançado e fiquei deslumbrado com sua força e convicção

Tornamo-nos grandes amigos e trocávamos várias idéias sobre tudo



Ah, Clarice, minha grande escritora, minha musa!

Fiz uma entrevista com ela, há tempos atrás e fiquei encantada com aquela personalidade

Como disse a ela na ocasião:

“Não era uma entrevistadora diante do entrevistado, mas um fã interagindo com seu ídolo”

Foi lindo e inesquecível para mim, Fernando



Que bom garota, que bom...



Para terminar, qual livro, dentre tantos que escreveu, você mais aprecia?

Obviamente gosto de “O encontro marcado”, pois foi um relato autobiográfico de excelente aceitação no mercado

Divido minha carreira em, “antes e depois” do Encontro Marcado

Mas, não posso deixar de citar: “O menino no Espelho”

Há naquele livro, fantasias mirabolantes do menino Fernando

Aliás, sabia que, quando criança, ensinei uma galinha a falar?

Sabia sim, e ela se chamava Fernanda, não é mesmo?

Isso garota, você leu o livro...



Diga-me, qual livro meu você mais gostou de ler...

... “O Grande Mentecapto”, sem dúvida

Adorei aquelas hilárias e dramáticas desventuras de Geraldo Viramundo

É moça, aquele romance levou trinta e três anos para ser escrito...

... Foi minha mulher, Lygia Marina, que no final dos anos 70 me incentivou a retomar uma obra que eu havia iniciado em 1946 e ficou guardada dentro de mim por tanto tempo...

O importante é que, finalizando-o, você retomou a vocação de romancista...

... É, de certa forma, sim!



Vamos encerrar por aqui, senhor Sabino

Quer deixar uma mensagem para os leitores das Publicações Retinas News?

Uma mensagem...

... Bem, um escritor não é dono da verdade e nem sempre escreve o que gostaria, mas algo o impele àquilo

Isso é tão estranho!

Para mim, um verdadeiro enigma...

Então, não vejam novelas, leiam

Leiam os clássicos...

Leiam Guy de Maupassant e Flaubert no original, conheçam a poesia de Willian Blake, leiam Dostoiévski...

Leiam Vinícius de Moraes e leiam Clarice Lispector

Creio que só a literatura universal pode preencher o vazio que assola a humanidade



Obrigado pelas dicas, Fernando

De nada minha cara, foi um prazer...



*Fernando Sabino, nascido: Fernando Tavares Sabino (Belo Horizonte, 12 de outubro de 1923 — Rio de Janeiro, 11 de outubro de 2004) foi escritor, jornalista e nas horas vagas, baterista de Jazz


*Entrevista concedida a repórter Núbia Poison na praia de Copacabana no Rio de Janeiro


*Núbia Poison, integrante virtual e roadie dos Retinas Queimadas é jornalista das publicações Retinas News.


*Qualquer semelhança com a realidade é mera coincidência.

janeiro 06, 2011

Entrevista com Pete Townshend



Boa tarde, Mr. Townshend

Olá, Mrs. Poison, aceita água com gás?

Não obrigada, vamos começar...



A guitarra elétrica definiu o Rock ‘n Roll?

Hum, claro que sim!

Deu-lhe identidade, ambição

Transformou-o num som peculiar, diferente

Próxima indagação...



O que a guitarra significa para você?

Pode-se considerá-la o símbolo de sua geração?

Uma de cada vez, garota!

Acho que, para entender porque ela é o símbolo das gerações 60’s e 70’s

E o que ela significa para mim, você precisa pegar uma

...segurá-la nas mãos

Conectá-la a um Marshall

Toque um, dois acordes e terá a resposta para essas perguntas



Você já teve muitas mulheres, já amou alguma verdadeiramente?

Nada é mais sexy do que uma guitarra, garota!

E seu cheiro... ah, inebriante!

Durmo quando tenho uma nos braços

A guitarra é a extensão de minhas paixões

Aquelas seis cordas.... as seis cordas são uma arma

Faço tudo com elas e as uso de várias maneiras

Três acordes no lugar certo é como preparar um prato e

Tocar para mim é como contar histórias com uma moral ao final

Comunico com o mundo e dou-lhe meus sentimentos mais profundos



Adorei, Mr. Townshend, pensava que fosse frio e monossilábico!

Quem foram os seus ídolos?

Não tive ídolos, tive amigos e estão todos mortos agora!

Janis Joplin, Brian Jones, Keith Moon e Jimi Hendrix

Eles foram e são ídolos de várias gerações

Para mim, eram amigos, grandes amigos



Como seria o rock sem esses caras?

...ah, não seria!

E sem a guitarra elétrica?

Não haveria identidade, não haveria..., sem chance Mrs. Poison

Para terminar, deixe uma declaração para os novos guitarristas...

Ok, muitos guitarristas tocam parecidos

Porque beberam na mesma fonte, possuem as mesmas influências

Jovens! Quando tocarem, entrem na nota e deixem sua digital nela

O som vem de dentro e a guitarra é o amplificador dos seus sentimentos, das suas emoções, das suas indignações



E não se esqueçam:

Nunca toquem minha guitarra e nem apontem o dedo para ela

E vê-la, eles podem Mr. Townshend?

Acho que já viram o bastante

Sou muito ciumento!

Adeus



Levantou-se e saiu da sala, cantarolando Johnny B Goode

Pediu um taxi e foi direto para o ‘The Montcalm Hotel’, descansar...




*Pete Townshend: Peter Dennis Blandford Townshend (Londres, 19 de maio de 1945) é guitarrista da banda The Who



*Entrevista concedida à Núbia Poison em algum dia de inverno na quase glacial, Londres



*Qualquer semelhança com a realidade é mera coincidência

janeiro 02, 2011

Amiga presbiopia



Tantas pedras, tantas sendas

Tantas pernas, rotinas e desatinos

Tantas fadigas em minhas retinas

Com minh’ alma caminho sozinho



Calmo, pelas veredas sem sarjetas

Calminho, leve, levinho, sem rastros

Levo castanhas, presbiopia, levo vinhos

Leviano, esqueci os pergaminhos



Também não trouxe os óculos

E o ato de não ver-te, nem atalhar-te

Faz-me flutuar, deixa-me pairando

Sobre o lume verde do caminho sigo vacilando

dezembro 20, 2010

Época de desenhos animados



Não há imagens refletidas no televisor

Só um diálogo estranho comigo mesma

Mas, falar sozinha não é falar

É ouvir e tentar extrair toda a dor



Devo negar o caos?

Destruir o obsoleto?

Preciso encontrar uma farmácia nesse bairro

Nessa periferia...

... Como faria se precisasse comunicar-me em outro idioma?



Hoje, assim como ontem e amanhã também

Não haverá aula, porém...

O ócio faz parte de minha vida há tempos

Vou ligar a TV e assistir outra aventura de dragões alados

Ah... Eu adorava essa época de desenhos animados

dezembro 09, 2010

Ao Senhor das moscas




As sombras são o que devem realmente ser.

Então, outra vez, me perdi em águas profundas demais.

E nelas, só há sujeira e decadência.




À Willian Golding, Prêmio Nobel em 1983

dezembro 06, 2010

Canção para a vida




A minha passagem é um incêndio
E, quando tudo terminar
Só restarão as cinzas...


... Antes, cantarei uma canção para a vida
Para que eu arda
E seja inteira, pelas chamas, consumida



*Homenagem à Mario Quintana, o meu querido

dezembro 05, 2010

O encontro de Bertold Bretch com Mario Quintana no castelo de Mary Shelley




Ouça-me Quintana... Olhai ao redor

Não há com que se preocupar, está tudo bem

Antes, me fiz Bretch

Agora Frankenstein!

dezembro 01, 2010

Do meu jeito



Eu estou acima, sou sua dançarina

Tome a resposta, esqueça os arrependimentos

E me pergunte outra vez...

... O que houve em seu trajeto garota?



Sid Vicious roubou essa canção

De um velhinho de olhos verdes

Mr. Sinatra tome-a de volta!

Eu, sozinha, fui buscá-la para o senhor



Tracei o plano e obtive a dor

Mas, quando brinco, deslizo

Deslizo para cima, deslizo para baixo

E novamente, volto ao topo do escorregador



Vou dar uma volta, solte-me, por favor

Eu fiz tudo do meu jeito e agora o fim está próximo

Em breve nos encontraremos de novo

No meio de uma confusão, espero...

Quer mesmo que eu lhe ame? Seja sincero



Depois que descobri a resposta, comecei a descer muito rápido

Diga-me novamente, me mostre a alternativa correta

A palavra certa faz muita diferença agora, faz sim

Porque só nós dois sabemos que nunca fui sua amante

E o seu olhar ainda permanece extremamente desconcertante


... Para mim



*Título extraído da canção: My Way (Paul Anka)

*Baseado em: Helter Skelter, canção dos Beatles

novembro 06, 2010

O mesmo acontece





Sempre que te encontro, lhe apelo

Então, deslizamos pelo arco-íris...




... A esmo, estamos indo ladeira abaixo e

Isso só acontece quando, por ti, ajoelho




Mas, nunca consigo o bastante...

... O bastante para satisfazer a mim mesmo




Nessas situações rotineiras é que percebo que sou seu

E é tão difícil para mim me livrar do que não me pertence




Aliás, nunca me pertenceu...

novembro 05, 2010

O que há conosco?



Devíamos ter agido de outra forma

E parado de falar quando perdemos a razão por completo

Não imaginava que nossa conversa tornar-se-ia acusações



... De parte a parte, incompletas

A alegria e o prazer se dissiparam

Nosso relacionamento, então, perdeu todo o sentido



O que há conosco?

Tudo entre nós prolonga-se...

... Prolonga-se em demasia

Ah, não me abandone, por favor!

Apenas cale-se, meu amor

novembro 01, 2010

Praemiari axioma



Esse é um axioma por excelência

Sem conclusão deduzida por análise da menor

Fui a maior, a menor e uma consequencia



Tenhamos cuidado e indolência no intermédio da maior

A sentença máxima que encerra essa ambivalência

Encerra toda a verdade verdadeiramente indiscutível



Não há como demonstrar a teoria sob indiferença

... Não há o ponto de partida

Porém, é tão evidente e, todavia...

... Indemonstrável e sem coerência

outubro 17, 2010

Coração sanguessuga




Percebo que encontrou um novo brinquedinho

E, agora, já não consegue me encarar

Obedecia à suas vontades...

... Fazia tudo direitinho, deves concordar



Quando começávamos a brincar

Não conseguíamos mais parar

Mas, desde o princípio, não me dava à mínima

Acho que nem vale a pena lembrar



Consciência sem dores?

Satisfações superficiais e tormentos noturnos

Devolva os meus mimos e minhas flores

Morte sobre pernas entre três atores



Coração sanguessuga transborda

Transborda indiferença e auto-estima a metros do chão

Desmancha-prazeres e muita presunção

Você acabou comigo e nesse poema perdi a razão



Brian May

outubro 13, 2010

Breve relato sobre Johnny Depp


Johnny Deep nunca quis ser ator. Sempre quis ser músico.

Eu sei porque sou testemunha ocular dos fatos e dos flatos...

Vamos a eles, os fatos:
Certa manhã de domingo, Johnny, um garoto serelepe e de belo rosto, viu nos classificados que os Retinas Queimadas procuravam um vocalista.
Ligou para o Bocarra e marcou um teste.
Cantou aos berros 'Bóis don crai' do Cure, fumou 6 Gudan Garan e foi-se.
Os caras não gostaram de sua performance e preterilam-no em relação a Lou James Jr. e Savok.

Assim, os Retinas Queimadas passaram a ter dois vocalistas e desde então, o pobre ser sofre com essa rejeição.

Partiu para a carreira de ator em Hollywood como forma de apaziguar seus sentimentos em relação à música e o desejo de cantar.
Até que ele mandou mais ou menos em 'Edward Scissorhands', e depois das filmagens ele acabou se envolvendo com a Winona Ryder.

Coisa que os dois vocalistas dos Retinas certamente também queriam.
Mas o cara evoluiu filme a filme e mandou bem em 'O Libertino', uma das minhas interpretações preferidas.
Depois de criar uma galeria inesquecível de personagens esdrúxulos e inconformistas, Johnny Depp mergulha no campo do monstruoso e bizarro nesse filme.
O ator representa o poeta provocador do século XVII, John Wilmot o conde de Rochester, que alcançou a fama literária apenas após sua morte, aos 33 anos, de sífilis e pelo abuso de álcool.
O papel representado por Depp possui um poder de sedução espantoso por baixo de sua repulsiva expressão de desdém com os humanos, e o protagonista, um homem repulsivo, dotado de apetites sensuais compulsivos, vai ficando mais reconhecível à medida que se torna mais fisicamente grotesco.
Bela interpretação do Johnny. Os fãs agradeceram.

Ultimamente, o ator tem brincado em filmes juvenis e provavelmente ele curte suas excentricidades longe de nossos olhares curiosos em alguma parte exótica desse planeta.

outubro 04, 2010

Entrevista com Clarice Lispector



por: Núbia Poison





Nossa, meu momento máximo!

Vim entrevistar-lhe, e gostaria de lhe dizer...

... Não sou uma entrevistadora diante do entrevistado

Sou uma fã em contato com seu ídolo



Grrata, muito grrata minha jovem

Podemos começarr...

So... Vamos lá!

... Sua presença me inibe Dona Clarice



Ficaria lhe olhando por horas

Admirando, apreciando-a...

Minha jovem, então não perrgunte nada

Vamos aos fatos pela panorrâmica



Sou uma trrabalhadorra óculo-manual

E considerro um livrro prronto como um livrro encerrado

Também não gosto do que escrrevo

Porr isso, não faço rrevisões e não rreleio minhas publicações



A senhora se considera uma escritora profissional?

Não, não me considerro... Porrque, só escrrevo o que querro

... E quando eu querro

No dia-a-dia, minhas ações ultrrapassam qualquerr palavrra



Pergunta inevitável: Acreditas em Deus?

Assim como a hóstia não tem gosto e é parrte de um rritual

E sei que sou feita a imagem e semelhança Dele...

Bem, se sou semelhante, também sou crriadorra

Foi Ele quem me mandou inventarr

E depois que captei o “espírrito da coisa”

Me torrnei escrritorra

Sou “Crristã laica apostólica” e Deus é de quem consegue aceitá-lo, senti-lo

Essa aceitação tornou-se forrça maiorr em minha vida!



Conte-nos um pouco sobre a Clarice como mulher...

Nunca me esqueci das pessoas com quem dorrmi

Mas, vivo exclusivamente o prresente

Como mulherr, sou rreduzida em mim mesma

E o espanto me impele

Também vou ao merrcado e cuido das rroupas

Adorro cozinharr parra alguns amigos e rrecebê-los de vez em quando



Na sua trajetória de vida, existe algo que gostaria de ter feito...

... E não fez?

Gostarria de terr mentido nos momentos cerrtos

Porrém, escrrevendo, eu não minto nunca



Como é escrever um livro, um conto?

Em que se baseia?

Esse ato é como serrrar uma barrra de ferrro!

Voam faíscas que não me ferrem



Mas, da medo ao começar?

Histórrias muito simples me causam aflição

É muito difícil elaborrarr uma histórria simples

Meus livrros, mesmos os insípidos, trrazem-me um rritual

O rritual do abandono do conforrto



Muito obrigada pela atenção e pelas palavras

Reitero o quanto a admiro, li tudo o que escreveu

Qual texto meu você mais aprrecia, minha jovem?

“O ovo e a galinha” é extremamente hermético traz-me questionamentos inverossímeis e...

“A paixão segundo G.H.”, trouxe-o para a senhora autografá-lo!



Hum, realmente “O ovo e a galinha” trrilhou por um caminho obscurro...

Dê-me aqui o livrro, farrei uma dedicatórria a jovem rrepórterr Núbia Poison...

Muito grata!

Ah, inefável minha escritora, inefável

Deixe uma mensagem aos leitores, para terminar...

Semprre fico atenta aos astrros e...

... Obserrvando o univerrso, perrcebo que viverr não é coisa lógica!

Uma flauta doce é coisa lógica!




*Homenagem a Clarice Lispector: 1920 - 1977



*Núbia Poison, integrante virtual e roadie dos Retinas Queimadas é jornalista das publicações Retinas News.



*Qualquer semelhança com a realidade é mera coincidência.