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abril 10, 2011

Nos canteiros de Cecília Meireles



A poetisa chorava. Chorava baixinho chamando. Chamando pelo luar que a fazia sorrir



Cantava, seu olhar mostrava-me. O vício de colher flores, framboesas, sonhos. Trilhava estradas que vieram a tornarem-se ruas



Ruas que a conduziram à hora da florada. Eis que chegava um novo dia de colher. Sonhos, flores, framboesas e expô-las nas calçadas



Tratou de aguar o que lhe enchia os olhos. Saudade, já não tentava nada, fadigada por... Pouca coisa, só felicidade e dor



Mostrava-me como seria diferente. Cada verso que criara, diferentemente. Versos que entregara inconscientemente



A mim entregava regozijo, estrofes e contentamento. Assim como Brecht, se contentava com tão pouca. Paz, alegria efêmera num sentimento de



Pode provar morangos que matavam tua fome. Canteiros de couve, cor de framboesa, novos nomes. Encerravam, com tristeza e víamos a morte de Cecília Meireles



O mato crescia com a chuva; riscávamos trilhas sob as corridas da jovem aldeã. Como ela nada era parecido, fugindo da morte, nada é parecido. Diferentes, somos parecidos com março, abril e maio



Antes, carnaval; no outono tudo é labor. Acabou a festa da carne, somos três meses. E a saudade recomeçou



De olhos fechados a felicidade chorava. Entre os dedos compridos, lágrimas corriam. Linhas pautadas preenchidas pela letra cursiva



Afetadas, tortas, sentimentos tortos, novas idas. Vida, amanhã, negra noite, deixa-me ver a sua letra. Como ontem de madrugada. Mais bela sua colheita de framboesas era









*A Cecília Meireles: 07/11/1901 — 09/11/1964

janeiro 02, 2011

Amiga presbiopia



Tantas pedras, tantas sendas

Tantas pernas, rotinas e desatinos

Tantas fadigas em minhas retinas

Com minh’ alma caminho sozinho



Calmo, pelas veredas sem sarjetas

Calminho, leve, levinho, sem rastros

Levo castanhas, presbiopia, levo vinhos

Leviano, esqueci os pergaminhos



Também não trouxe os óculos

E o ato de não ver-te, nem atalhar-te

Faz-me flutuar, deixa-me pairando

Sobre o lume verde do caminho sigo vacilando

dezembro 20, 2010

Época de desenhos animados



Não há imagens refletidas no televisor

Só um diálogo estranho comigo mesma

Mas, falar sozinha não é falar

É ouvir e tentar extrair toda a dor



Devo negar o caos?

Destruir o obsoleto?

Preciso encontrar uma farmácia nesse bairro

Nessa periferia...

... Como faria se precisasse comunicar-me em outro idioma?



Hoje, assim como ontem e amanhã também

Não haverá aula, porém...

O ócio faz parte de minha vida há tempos

Vou ligar a TV e assistir outra aventura de dragões alados

Ah... Eu adorava essa época de desenhos animados

dezembro 06, 2010

Canção para a vida




A minha passagem é um incêndio
E, quando tudo terminar
Só restarão as cinzas...


... Antes, cantarei uma canção para a vida
Para que eu arda
E seja inteira, pelas chamas, consumida



*Homenagem à Mario Quintana, o meu querido

dezembro 01, 2010

Do meu jeito



Eu estou acima, sou sua dançarina

Tome a resposta, esqueça os arrependimentos

E me pergunte outra vez...

... O que houve em seu trajeto garota?



Sid Vicious roubou essa canção

De um velhinho de olhos verdes

Mr. Sinatra tome-a de volta!

Eu, sozinha, fui buscá-la para o senhor



Tracei o plano e obtive a dor

Mas, quando brinco, deslizo

Deslizo para cima, deslizo para baixo

E novamente, volto ao topo do escorregador



Vou dar uma volta, solte-me, por favor

Eu fiz tudo do meu jeito e agora o fim está próximo

Em breve nos encontraremos de novo

No meio de uma confusão, espero...

Quer mesmo que eu lhe ame? Seja sincero



Depois que descobri a resposta, comecei a descer muito rápido

Diga-me novamente, me mostre a alternativa correta

A palavra certa faz muita diferença agora, faz sim

Porque só nós dois sabemos que nunca fui sua amante

E o seu olhar ainda permanece extremamente desconcertante


... Para mim



*Título extraído da canção: My Way (Paul Anka)

*Baseado em: Helter Skelter, canção dos Beatles

novembro 06, 2010

O mesmo acontece





Sempre que te encontro, lhe apelo

Então, deslizamos pelo arco-íris...




... A esmo, estamos indo ladeira abaixo e

Isso só acontece quando, por ti, ajoelho




Mas, nunca consigo o bastante...

... O bastante para satisfazer a mim mesmo




Nessas situações rotineiras é que percebo que sou seu

E é tão difícil para mim me livrar do que não me pertence




Aliás, nunca me pertenceu...

novembro 05, 2010

O que há conosco?



Devíamos ter agido de outra forma

E parado de falar quando perdemos a razão por completo

Não imaginava que nossa conversa tornar-se-ia acusações



... De parte a parte, incompletas

A alegria e o prazer se dissiparam

Nosso relacionamento, então, perdeu todo o sentido



O que há conosco?

Tudo entre nós prolonga-se...

... Prolonga-se em demasia

Ah, não me abandone, por favor!

Apenas cale-se, meu amor

novembro 01, 2010

Praemiari axioma



Esse é um axioma por excelência

Sem conclusão deduzida por análise da menor

Fui a maior, a menor e uma consequencia



Tenhamos cuidado e indolência no intermédio da maior

A sentença máxima que encerra essa ambivalência

Encerra toda a verdade verdadeiramente indiscutível



Não há como demonstrar a teoria sob indiferença

... Não há o ponto de partida

Porém, é tão evidente e, todavia...

... Indemonstrável e sem coerência