dezembro 20, 2010

Época de desenhos animados



Não há imagens refletidas no televisor

Só um diálogo estranho comigo mesma

Mas, falar sozinha não é falar

É ouvir e tentar extrair toda a dor



Devo negar o caos?

Destruir o obsoleto?

Preciso encontrar uma farmácia nesse bairro

Nessa periferia...

... Como faria se precisasse comunicar-me em outro idioma?



Hoje, assim como ontem e amanhã também

Não haverá aula, porém...

O ócio faz parte de minha vida há tempos

Vou ligar a TV e assistir outra aventura de dragões alados

Ah... Eu adorava essa época de desenhos animados

dezembro 09, 2010

Ao Senhor das moscas




As sombras são o que devem realmente ser.

Então, outra vez, me perdi em águas profundas demais.

E nelas, só há sujeira e decadência.




À Willian Golding, Prêmio Nobel em 1983

dezembro 06, 2010

Canção para a vida




A minha passagem é um incêndio
E, quando tudo terminar
Só restarão as cinzas...


... Antes, cantarei uma canção para a vida
Para que eu arda
E seja inteira, pelas chamas, consumida



*Homenagem à Mario Quintana, o meu querido

dezembro 05, 2010

O encontro de Bertold Bretch com Mario Quintana no castelo de Mary Shelley




Ouça-me Quintana... Olhai ao redor

Não há com que se preocupar, está tudo bem

Antes, me fiz Bretch

Agora Frankenstein!

dezembro 01, 2010

Do meu jeito



Eu estou acima, sou sua dançarina

Tome a resposta, esqueça os arrependimentos

E me pergunte outra vez...

... O que houve em seu trajeto garota?



Sid Vicious roubou essa canção

De um velhinho de olhos verdes

Mr. Sinatra tome-a de volta!

Eu, sozinha, fui buscá-la para o senhor



Tracei o plano e obtive a dor

Mas, quando brinco, deslizo

Deslizo para cima, deslizo para baixo

E novamente, volto ao topo do escorregador



Vou dar uma volta, solte-me, por favor

Eu fiz tudo do meu jeito e agora o fim está próximo

Em breve nos encontraremos de novo

No meio de uma confusão, espero...

Quer mesmo que eu lhe ame? Seja sincero



Depois que descobri a resposta, comecei a descer muito rápido

Diga-me novamente, me mostre a alternativa correta

A palavra certa faz muita diferença agora, faz sim

Porque só nós dois sabemos que nunca fui sua amante

E o seu olhar ainda permanece extremamente desconcertante


... Para mim



*Título extraído da canção: My Way (Paul Anka)

*Baseado em: Helter Skelter, canção dos Beatles

novembro 06, 2010

O mesmo acontece





Sempre que te encontro, lhe apelo

Então, deslizamos pelo arco-íris...




... A esmo, estamos indo ladeira abaixo e

Isso só acontece quando, por ti, ajoelho




Mas, nunca consigo o bastante...

... O bastante para satisfazer a mim mesmo




Nessas situações rotineiras é que percebo que sou seu

E é tão difícil para mim me livrar do que não me pertence




Aliás, nunca me pertenceu...

novembro 05, 2010

O que há conosco?



Devíamos ter agido de outra forma

E parado de falar quando perdemos a razão por completo

Não imaginava que nossa conversa tornar-se-ia acusações



... De parte a parte, incompletas

A alegria e o prazer se dissiparam

Nosso relacionamento, então, perdeu todo o sentido



O que há conosco?

Tudo entre nós prolonga-se...

... Prolonga-se em demasia

Ah, não me abandone, por favor!

Apenas cale-se, meu amor

novembro 01, 2010

Praemiari axioma



Esse é um axioma por excelência

Sem conclusão deduzida por análise da menor

Fui a maior, a menor e uma consequencia



Tenhamos cuidado e indolência no intermédio da maior

A sentença máxima que encerra essa ambivalência

Encerra toda a verdade verdadeiramente indiscutível



Não há como demonstrar a teoria sob indiferença

... Não há o ponto de partida

Porém, é tão evidente e, todavia...

... Indemonstrável e sem coerência

outubro 17, 2010

Coração sanguessuga




Percebo que encontrou um novo brinquedinho

E, agora, já não consegue me encarar

Obedecia à suas vontades...

... Fazia tudo direitinho, deves concordar



Quando começávamos a brincar

Não conseguíamos mais parar

Mas, desde o princípio, não me dava à mínima

Acho que nem vale a pena lembrar



Consciência sem dores?

Satisfações superficiais e tormentos noturnos

Devolva os meus mimos e minhas flores

Morte sobre pernas entre três atores



Coração sanguessuga transborda

Transborda indiferença e auto-estima a metros do chão

Desmancha-prazeres e muita presunção

Você acabou comigo e nesse poema perdi a razão



Brian May

outubro 13, 2010

Breve relato sobre Johnny Depp


Johnny Deep nunca quis ser ator. Sempre quis ser músico.

Eu sei porque sou testemunha ocular dos fatos e dos flatos...

Vamos a eles, os fatos:
Certa manhã de domingo, Johnny, um garoto serelepe e de belo rosto, viu nos classificados que os Retinas Queimadas procuravam um vocalista.
Ligou para o Bocarra e marcou um teste.
Cantou aos berros 'Bóis don crai' do Cure, fumou 6 Gudan Garan e foi-se.
Os caras não gostaram de sua performance e preterilam-no em relação a Lou James Jr. e Savok.

Assim, os Retinas Queimadas passaram a ter dois vocalistas e desde então, o pobre ser sofre com essa rejeição.

Partiu para a carreira de ator em Hollywood como forma de apaziguar seus sentimentos em relação à música e o desejo de cantar.
Até que ele mandou mais ou menos em 'Edward Scissorhands', e depois das filmagens ele acabou se envolvendo com a Winona Ryder.

Coisa que os dois vocalistas dos Retinas certamente também queriam.
Mas o cara evoluiu filme a filme e mandou bem em 'O Libertino', uma das minhas interpretações preferidas.
Depois de criar uma galeria inesquecível de personagens esdrúxulos e inconformistas, Johnny Depp mergulha no campo do monstruoso e bizarro nesse filme.
O ator representa o poeta provocador do século XVII, John Wilmot o conde de Rochester, que alcançou a fama literária apenas após sua morte, aos 33 anos, de sífilis e pelo abuso de álcool.
O papel representado por Depp possui um poder de sedução espantoso por baixo de sua repulsiva expressão de desdém com os humanos, e o protagonista, um homem repulsivo, dotado de apetites sensuais compulsivos, vai ficando mais reconhecível à medida que se torna mais fisicamente grotesco.
Bela interpretação do Johnny. Os fãs agradeceram.

Ultimamente, o ator tem brincado em filmes juvenis e provavelmente ele curte suas excentricidades longe de nossos olhares curiosos em alguma parte exótica desse planeta.

outubro 04, 2010

Entrevista com Clarice Lispector



por: Núbia Poison





Nossa, meu momento máximo!

Vim entrevistar-lhe, e gostaria de lhe dizer...

... Não sou uma entrevistadora diante do entrevistado

Sou uma fã em contato com seu ídolo



Grrata, muito grrata minha jovem

Podemos começarr...

So... Vamos lá!

... Sua presença me inibe Dona Clarice



Ficaria lhe olhando por horas

Admirando, apreciando-a...

Minha jovem, então não perrgunte nada

Vamos aos fatos pela panorrâmica



Sou uma trrabalhadorra óculo-manual

E considerro um livrro prronto como um livrro encerrado

Também não gosto do que escrrevo

Porr isso, não faço rrevisões e não rreleio minhas publicações



A senhora se considera uma escritora profissional?

Não, não me considerro... Porrque, só escrrevo o que querro

... E quando eu querro

No dia-a-dia, minhas ações ultrrapassam qualquerr palavrra



Pergunta inevitável: Acreditas em Deus?

Assim como a hóstia não tem gosto e é parrte de um rritual

E sei que sou feita a imagem e semelhança Dele...

Bem, se sou semelhante, também sou crriadorra

Foi Ele quem me mandou inventarr

E depois que captei o “espírrito da coisa”

Me torrnei escrritorra

Sou “Crristã laica apostólica” e Deus é de quem consegue aceitá-lo, senti-lo

Essa aceitação tornou-se forrça maiorr em minha vida!



Conte-nos um pouco sobre a Clarice como mulher...

Nunca me esqueci das pessoas com quem dorrmi

Mas, vivo exclusivamente o prresente

Como mulherr, sou rreduzida em mim mesma

E o espanto me impele

Também vou ao merrcado e cuido das rroupas

Adorro cozinharr parra alguns amigos e rrecebê-los de vez em quando



Na sua trajetória de vida, existe algo que gostaria de ter feito...

... E não fez?

Gostarria de terr mentido nos momentos cerrtos

Porrém, escrrevendo, eu não minto nunca



Como é escrever um livro, um conto?

Em que se baseia?

Esse ato é como serrrar uma barrra de ferrro!

Voam faíscas que não me ferrem



Mas, da medo ao começar?

Histórrias muito simples me causam aflição

É muito difícil elaborrarr uma histórria simples

Meus livrros, mesmos os insípidos, trrazem-me um rritual

O rritual do abandono do conforrto



Muito obrigada pela atenção e pelas palavras

Reitero o quanto a admiro, li tudo o que escreveu

Qual texto meu você mais aprrecia, minha jovem?

“O ovo e a galinha” é extremamente hermético traz-me questionamentos inverossímeis e...

“A paixão segundo G.H.”, trouxe-o para a senhora autografá-lo!



Hum, realmente “O ovo e a galinha” trrilhou por um caminho obscurro...

Dê-me aqui o livrro, farrei uma dedicatórria a jovem rrepórterr Núbia Poison...

Muito grata!

Ah, inefável minha escritora, inefável

Deixe uma mensagem aos leitores, para terminar...

Semprre fico atenta aos astrros e...

... Obserrvando o univerrso, perrcebo que viverr não é coisa lógica!

Uma flauta doce é coisa lógica!




*Homenagem a Clarice Lispector: 1920 - 1977



*Núbia Poison, integrante virtual e roadie dos Retinas Queimadas é jornalista das publicações Retinas News.



*Qualquer semelhança com a realidade é mera coincidência.

setembro 23, 2010

Fugindo, encontrei o fugitivo



Não sou quem pensas que sou

Não sou o monge perverso que se veste de negro

Em York, habitava os fundos da catedral gótica beneditina



Dele, na verdade, sou fugitivo

Minha sina...

... Ser um homem morto feliz?

E tu, quem és; de quem foges a passos largos?





*a Bertold Brecht

setembro 21, 2010

Aquela correspondência me deixou curiosa







Meio-dia

Fome inteira

Acabei de entrar



Encontrei sua carta toda molhada

Não consigo abri-la

Perdi a fome



setembro 19, 2010

Intacta retina



“Early to bed and early to rise

Makes a man or woman miss out on the night life”

(Morphine)





Era sábado, depois de sexta

Você foi cedo prá cama...



... Naquela noite, me transformei no que sou

E, ao acordar, você também não era mais a mesma





À Dana Colley

setembro 15, 2010

Não me deixe cair novamente









É muito triste estar sozinho

Perco o ímpeto, silencio



Depressa moda, venha preencher...

... Preencher o meu vazio





*A Alan Wilder


*Título extraído da canção: “Never let me down” (1987) Depeche Mode


agosto 29, 2010

Sem disfarces (Música para as massas)




Escapei de mim mesmo, e agora temo...


... Temo que eu descubra quem realmente eu sou








*A Dave Gahan

agosto 23, 2010

Tentei caminhar com os meus sapatos



Tentei caminhar com os meus sapatos


Os mesmos sapatos velhos...





... Mas, acabei escorregando


Escorregando para dentro deles






*Homenagem a Martin Lee Gore, compositor do Depeche Mode

agosto 16, 2010

R.I.P. Elvis


"Será que deus, tem topete e costeletas?"


Homenagem dos Retinas Queimadas à:
Elvis Aaron Presley: nascido em 8 de janeiro de 1935 e falecido em Memphis no dia 16 de agosto de 1977.

A capa do primeiro álbum do cantor (1956) tem a foto inesquecível creditada a Willian "Red" Robertson, tirada num show na Flórida.

O poeta, em homenagem, a subverteu:










agosto 14, 2010

Sozinha, voltarei a crescer





Sem você

Não sou ninguém?

Acho que não...

... Eu simplesmente estaria

Me subestimando demais



Ou, lhe superestimando muito

Sem você, continuo sendo alguém

Uma parte, um pedaço, algo por fazer...

... Na verdade, com você me estagnei

E agora, sozinha, voltarei a crescer



*Poema de Núbia Poison

agosto 12, 2010

Mark, o gato



"And tell me where where is the faith
Someday there'll be a cure for pain"
(Morphine)



Ela tem um gato de estimação
E, com ele passeia todos os dias
Dá-lhe leite, petiscos e o acaricia
Com amor...
... Ah, queria ser eu o seu gato!
Cor de caramelo, gordo e preguiçoso
Você não vai chamar meu nome?
Dar-me um doce, me fazer um afago?
A cura para a dor virá
Basta tocar meu coração
Uma tigela de leite quente não seria suficiente
Nem um banho e tosa naquele pet shop
Somos muito mais que isso
Estou carente e preciso de atenção
Você é mais que uma dona...
... Eu, mais que um gato de estimação





*A Mark Sandman
 24/09/1952 – 03/07/1999

agosto 11, 2010

Solitária com Quintana

à Mario Quintana











Será que existe um outro mundo?

Uma outra vida no quarteirão seguinte?

Pelas ruas largas, carrego uma antologia de Quintana

Minha alma atônita vaga e busca...

... Respostas para minhas perguntas insanas

Entrei pela madrugada e agora

Só o brilho fosco dos postes e quem sabe

O espetáculo do Armaggedon para entreter-me

Cantam os grilos, meus passos estão leves

Tão leves que tento escalar o céu

O vento dorme...

... E o último ladrão acabou de apagar a luz


agosto 09, 2010

Iggy, o cão


"And now I wanna be your dog
... Well come on"
(The Stooges)






Você me chamou e eu estou aqui
Em seu quarto
Obedeço às suas ordens
Deito-me, rolo e fico de quatro
Sou Iggy e quero ser seu cão




Acabei de fechar os olhos
Estamos frente a frente, de fato
Você, no meu lugar favorito
E... Não acredito!
Sinto o cheiro da sua respiração




Ofegante, vou recebê-la ao portão
Secar-me-á o suor em seus lençóis?
Estamos a sós, arraste-me pela coleira e levante-me do chão
Salivante, pronto para mordê-la; não vá correr da paixão
Sou Iggy e quero ser seu cão




*A Iggy Pop

agosto 07, 2010

Quando o corvo fala










Tenho dúvidas... Muitas dúvidas.


Dentre elas, essa, e lhe pergunto:


"Existe, por acaso, um bálsamo para esse mundo?"


E o corvo, grasnando, disse-me:


"Houve e nunca mais haverá."







*Baseado no poema: "O corvo", de Edgar Allan Poe

agosto 06, 2010

Entrevista poética com Adoniran Barbosa (da maloca vinha o samba)


“Sou um cara triste,
Faço piada, mas é só por fora”
(Adoniran Barbosa)


Dá licença de contar...


O mais ‘punk’ dos sambistas, um fumante inveterado
Sou a repórter Núbia Poison e esse é meu entrevistado
Sem data de nascimento definida, mas com destino bem traçado
Falo de Adoniran Barbosa e eram dois maços por dia
“Nunca comprados, sempre filados”, como ele insistia




Na Cidade Ademar, com Mathilde e seus cachorros
Construiu sua parada, teto baixo, varanda e quintal
Em ‘Jaçanã’, não havia morada, só direito autoral
Sempre irônico, explicou-me a ‘questã’:
Desse bairro me veio a rima com ‘manhã’




Não é fácil escrever errado as letras de meus sambas
Isso tem que parecer real, convencer o intérprete e o ouvinte
Preste atenção menina, ouça o seguinte:
Se não sabes concatenar e nem o público convencer
Só aplauda, pois a eles não terás nada a dizer




Também conto causos e aqui vai mais um
Igual a esse, nunca ouvi nenhum
Pedi um taxi e pelo trajeto ouvia no rádio, bem naquela estação
Os ‘Demônios da Garoa’ interpretando minha canção
E na frente, um motorista confuso com minha informação...




Ao invés do estúdio, anunciou-me manobrando:
Chegamos ao Hotel Eldorado!
E foi logo estacionando
Desci do carro, sem bagagem e desolado
Chamei então, o porteiro num verso sagaz
Meu rapaz, hoje minha mala será aquela enorme lata de lixo, olhe para a sarjeta
E sorrindo-me absteve-se da gorjeta







*Adoniran Barbosa: Sambista que nasceu em Valinhos, interior de São Paulo, supostamente no dia 06 de agosto de 1910 e faleceu em São Paulo, Capital em 23 de novembro de 1982.

*Entrevista concedida a repórter Núbia Poison no Hotel San Juan na Rua Aurora em São Paulo.

*Núbia Poison, integrante virtual e roadie dos Retinas Queimadas é jornalista das publicações Retinas News.

*Qualquer semelhança com a realidade é mera coincidência.



*Fonte: Mugnaini Jr, Ayrton: “Adoniran – Dá licença de contar...” Editora 34, 2002.




*Homenagem ao centenário do sambista que não perdeu o trem!

agosto 01, 2010

Case comigo, Núbia Poison!










Do globo da morte

A contemplo

Ela vai à faculdade

Gosta de flores

Ora no templo

Ouve músicas,

Ama “The Cramps”

Enquanto os palhaços

Jogam cartas

O trailer treme, antes

Quando bato surge a fera

Me ataca!

Vejo o mal, perversão

Bala de prata?

Apenas solitário, um palhaço me relata

Núbia, em meio à narcisos

São suas preferidas

Pelo olho de vidro morrerias do coração

A bruxa tinha-me mostrado

Nesse ínterim, absorto em meu acordeão

E, pelo esforço, a resposta veio a constatação

Nunca me casarei com você

As alianças...

... Devolvo-lhe, pois não

Doze doses tive que tomar

Para bonita poder lhe achar

Admita, esse excesso de vermute

Foi fatal, estou sem vida

Mas hoje, depois de ontem

Tenho muita sede

Não consigo contar direito

Minhas histórias

Saio pela tangente,

Esqueço as glórias

A convocação chegou

Foram dois anos de disciplina

Longe dela, me esfacelei

Ao Haiti eu fui, oh minha menina

Tornei-me pára-quedista

Saltar do firmamento virou rotina

Naquela tarde peguei três trens para provar-te

Trouxe-lhe a notícia

Escrevi teu nome no céu

Seu nome é Núbia Poison

Te levo ao altar, abro teu véu

Fui criado num pequeno lago

E agora, estamos no oceano

Poseidon, deus dos mares

Me afoga e não percebo

Eu tenho um só plano

Preciso de emprego, trabalho de graça

Pode acreditar

Todo mês, fim do ciclo

Te sussurro um detalhe

É minha proposta, suplico

E sobre ela justifico

Sou domador, homem bala

Limpo a ala dos elefantes

Mas, no encontro, sou galante

Lançador de facas preciso

Levo flores, seus narcisos

Aí, não sei como

O tempo acelera e pára

Tudo se dispersa

Comunico aos amigos

Não há inércia

Minha vontade, obsessão

Qual é seu problema, garoto?

Me fazem a indagação

E assim, a contar recomecei

Acabei de conhecer

A mulher com quem me casarei

Não faço idéia de quem tu és?

Sou um contador de histórias

Mentiras?

Romances?

Contos?

Devo acreditar em seus encantos?

Também sou músico

Faço canções e as canto

O artista é surreal, não possui matéria

Só sedução

Você é a única que não compreende meu coração

Por ti, pelas suas negações

Sou um retrato mal acabado de mim mesmo

De quem é o problema?

Barco à deriva, abalado

Vou a esmo, grand’ ilema

Limparei tua piscina

Veja e constate

Arrumarei teu jardim

Nada é invenção

Serás minha mulher

Quero-te agora, confie em mim

Qual o problema dos icebergs?

Os noventa por cento abaixo?

Ou os dez por cento acima?

Una-se a mim, já!

Montemos uma banda

A vida nos ensinará

Os acordes necessários

Som de salafrários

Fiz uma canção

É mais ou menos assim:




“Em meio aos lençóis

Eu voltei

Estendidos no varal

Lhe beijei”




Quer me mostrar

Que livros está lendo?

Há uma segunda vida?

Uma personagem, outra família?

Um filho bastardo fora do casamento?

Indago, interrogo, lamento

Passava muito tempo

Fora de casa

Mesmo assim, prefiro acreditar

Em você, e não em mim

Não é verdade!

Qual a autenticidade?

Os carros do comercial?

Moscas presas no pára-brisas?

As siamesas da Coréia?

Atrações exóticas que sempre paralisam

Abelhas na colméia

Voam e deslizam

Apague a luz, sairemos vencedores

Vamos pelo amor

Que conduz as nossas dores




*Núbia Poison, integrante virtual e roadie dos Retinas Queimadas é jornalista das publicações Retinas News e companheira do poeta.


*Texto adaptado ao filme: "Big Fish" (2003), direção: Tim Burton.